Liga Americana 2021: confira o elenco e tudo o que você precisa saber sobre o formato

A grande novidade da temporada, infelizmente em meio a uma pandemia global, é a criação da primeira liga profissional de voleibol dos Estados Unidos. 

A liga faz parte do projeto Athletes Unlimited, que apoia competições de lacrosse e softball, e por isso é nomeada de Athletes Unlimited Volleyball ou AUV (já havíamos adiantado sobre ela, relembre aqui).

Capitã dos EUA, Jordan Larson é um dos nomes por trás da organização da primeira liga americana profissional da história (Foto: AUV)


Por que esse formato estranho?

Bem, o grande diferencial dessa liga é... tudo, na verdade. Parece estranho, mas os Estados Unidos são tão desenvolvidos no meio esportivo que têm dificuldade de emplacar grandes públicos para esportes coletivos, como o voleibol e o próprio futebol (lá chamado de soccer e diferente do football).

O voleibol americano é sustentado pelas universidades e pelos seus campeonatos até chegar na NCAA (Associação Atlética Universitária Nacional em inglês). Esse é o limite máximo do voleibol estadunidense e a partir daí, quem quiser seguir carreira precisa seguir para o exterior. 

Vejam que a maioria dos países com ligas menos desenvolvidas dão a opção que suas atletas joguem por lá, como por exemplo a Sérvia (que recentemente teve Malesevic e Bjelica em seu nacional), a Holanda, a Bulgária, o Peru... Os EUA, como uma grande seleção, não têm essa opção.

Considerando todas essas dificuldades, os EUA procuraram um formato mais atrativo e competitivo para estabelecer uma liga por lá. Lembrando que a AU é uma organização independente da federação nacional, como é o caso da LVF na Itália, mas que recebe apoio dela.

Medalhista olímpica em 2016, Karsta Lowe é mais um dos nomes confirmados na liga (Foto: AUV)


Onde, quando e transmissões

O torneio será realizado na cidade de Dallas, estado do Texas, entre 27 de fevereiro e 29 de março, completando cinco semanas. Serão 30 jogos e todos com transmissão, algumas delas livres e gratuitas.

As transmissões ao vivo pela tv serão na CBS Sports Network e na FOX Sports e também haverá streaming oferecido no Facebook, YouTube, Twitter, Dailymotion e Twitch.

O sistema de pontuação

Toda a pontuação da AUV será individual e serão 4 times com 11 jogadoras cada: times Roxo, Laranja, Azul e Dourado, sem nomes oficiais por enquanto.

Os pontos serão distribuídos assim:

  • Set vencido: + 30 pts
  • Jogo vencido: + 40 pts
  • MVP 1: + 60 pts
  • MVP 2: + 40 pts
  • MVP 3: + 20 pts
  • Ace: + 12 pts 
  • Erro de saque: - 8 pts
  • Ataque com sucesso: + 8 pts
  • Erro de ataque: - 12 pts
  • Levantamento: + 1 pt
  • Erro de levantamento: - 12 pts
  • Defesa: + 5 pts
  • Passe bom: + 2 pts
  • Erro de passe: - 12 pts
  • Bloqueio: + 12 pts

Todas as partidas terão três sets, independente de quem vencê-los. O que realmente importa para vencer uma partida é o número de pontos conquistados durante os sets. Por exemplo, se um time vencer os dois primeiros sets por 25-23 e 25-22 e perder o terceiro por 10-25, ele somará 60 pontos, enquanto o rival somará 70. Assim, o rival vencerá a partida.

Mas não se enganem: todas essas definições são baseadas em um longo e complexo estudo da AUV sobre as pontuações e atividades individuais que consideram, por exemplo, o número médio de toques por posição em um set, como mostrado no gráfico abaixo.

Estudo da AUV com base na última Olimpíada mostra que levantadoras participam da maioria das jogadas, 29,5%, enquanto líberos estão em menos da metade, 13,1%. (Imagem: AUV)


Mudança de times

A cada semana os quatro times terão uma capitã e a primeira será escolhida através de votação de membros associados da AU. Nas semanas seguintes, as capitãs serão as jogadoras com mais pontos no ranking.

São essas capitãs que vão escolher as 10 jogadoras de sua equipe para a semana de jogos. Cada equipe contará com 2 levantadoras, 2 opostas, 3 ponteiras, 3 centrais e 1 líbero. O primeiro desafio de escolha dos times será na próxima sexta, dia 19.

Elenco da Liga Americana

Atualização (18/02): já estão definidas as 44 jogadoras da AUV. A última a integrar o elenco foi a central Corissa Crocker, para que Erica Wilson atue como ponteira. Enquanto isso, a levantadora Kelly Hunter substitui a turca Ozge Kirdar.

Levantadoras

2. Valerie Nichol
3. Samantha Seliger-Swenson
4. Erica Handley
17. Taylor Bruns 
21. Amanda Peterson
26. Brie King (Canadá)
34. Kaylee Manns
52. Kelly Hunter 
99. Özge Kirdar (Turquia)

Kelly Hunter deixa cargo de assistente técnica em Nebraska para voltar às quadras e substituir Ozge (Foto: Nebraska University)


Opostas 

13. Sheilla Castro (Brasil)
16. Sherridan Atkinson
19. Katie Carter 
22. Sareea Freeman 
25. Karsta Lowe  
33. Alexandra Holston
44. Willow Johnson
95. Ebony Nwanebu

A bicampeã olímpica Sheilla Castro é um dos nomes escolhidos para a disputa do torneio (Foto: Foxsports)


Ponteiras

8. Cassidy Lichtman
10. Jordan Larson 
11. Erin Fairs
14. Leah Edmond
18. Deja McClendon
24. Aurea Cruz (Porto Rico)
29. Lindsay Stalzer
32. Erica Wilson
42. Symone Abbott 
80. Holly Toliver 
81. Bethania De La Cruz (República Dominicana)
90. Odina Bayramova (Azerbaijão)

'Inimiga' perto: rival continental e pedra no sapato dos EUA, Bethania De La Cruz é mais uma estrela que se junta à AUV (Foto: FIVB)


Centrais 

5. Mallory McCage 
6. Lauren Gibbemeyer 
9. Tetori Dixon
12. Paige Tapp 
15. Nia Grant 
23. Molly Lohman 
28. Taylor Morgan 
30. Lianna Sybeldon 
41. Taylor Sandbothe
47. Kristy Wieser (substituindo Tapp) 
50. Ciara Michel (Reino Unido)
55. Alison Bastianelli
77. Corissa Crocker

Nem fale em aposentadoria neste post: Lauren Gibbemeyer volta às quadras após ano em pausa (Foto: USAV)


Líberos

1. Kristen Tupac 
7. Tiffany Clark 
27. Dalianliz Rosado (Porto Rico)
40. Nomaris Vélez (Porto Rico)

Prata da casa, Kristen Tupac ganha oportunidade de atuar como líbero na liga (Foto: AUV)


Técnicos

Karch Kiraly, técnico da seleção dos EUA;
Jamie Morrison, técnico da Univ. do Texas e ex-técnico da seleção holandesa;
Tamari Miyashiro, ex-líbero e assistente técnica da seleção dos EUA;
Tayyiba Haneef-park, ex-oposta e assistente técnica da seleção B dos EUA.

Comentários

  1. Falta uma ponteira.

    "Cada equipe contará com 2 levantadoras, 2 opostas, 3 ponteiras, 3 centrais e 2 líberos." É uma líbero por equipe para fechar 44 atletas distribuídas semanalmente em 4 times de 11.

    Não sei o que esperar desta liga, só vendo mesmo. Estou curioso para saber como a Sheilla irá se sair.

    As cores das quadras de vôlei dos EUA são horríveis.

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  3. Pensei que vc um campeonato, mas é um interbairros em Dallas.

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  4. Espetacular este torneio! Quero assistir! Os EUA são ótimos em organizar Ligas Profissionais inovadoras e eu adorei esse sistema de disputa e essas regras de pontuação individual.

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    1. Os EUA são ótimos em organizar liga profissional? Oi? Não é a primeira? Kkkk

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  5. O que eu mais gostei desta Liga Americana foi o fato de descontarem pontos de erros na execução dos fundamentos:
    Erro de saque: - 8 pts
    Erro de ataque: - 12 pts
    Erro de levantamento: - 12 pts
    Erro de passe: - 12 pts
    Isso fará com que as atletas evitem ao máximo erros "não-forçados" a fim de não perderem pontos preciosos nesse torneio.

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  6. Dentro desse contexto de punir as jogadoras com perda de pontos por erros, achei bem interessante e até educativo, porque obriga as jogadoras a jogarem sempre concentradas e reduzirem cada vez mais a quantidade de erros na execução dos fundamentos.
    Não imagino jogadoras quinadoras de passe como Anne Bujs ou Kosheleva sendo contratadas para jogar nessa Liga Americana.
    Também não consigo imaginar Roberta dando seus "dois toques" nessa liga.
    Ou então a Drussyla com seus erros de ataque sucessivos.

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    1. Meu amor, como se Betânia e Deja fossem um primor no passe e Lowe, a oposta perfeita. Não falo nem das demais porque nunca nem vi.

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    2. Também não imagino jogadoras com alto índice de erros, ou mesmo irregulares sendo contratadas...é claro que isso ainda não se verifica porque é a temporada inaugural, mas a longo prazo, as contratações devem se afunilar, ainda mais que a escola de voleibol dos EUA prima pela execução de fundamentos, sendo altamente técnica! As próprias jogadoras deveram ser mais exigentes com as companheiras quanto a esse quesito...tomara que vingue e que futuramente haja uma liga masculina também!

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  7. Esse é só o inicio daquele Campeonato que pode se tornar um dos mais fortes do mundo. Tudo depende do interesse, investimento financeiro e do público cativado. Vamos torcer !!

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