Olimpíada: pode entrar, mas se você for mulher é mais díficil

O voleibol estreou em uma Olimpíada no ano de 1964, nos Jogos de Tóquio, Japão, tanto para homens quanto para mulheres. Mas se analisarmos mais profundamente esses números, podemos perceber que essa situação esteve longe de ser igual.

Em 64, dez equipes masculinas se enfrentaram: Japão, Coreia do Sul, União Soviética, Tchecoslováquia, Romênia, Bulgária, Hungria, Países Baixos, Brasil e Estados Unidos. A Bulgária substituiu a seleção de Marrocos, que desistiu da disputa. No torneio feminino apenas seis seleções se inscreveram: Japão, Polônia, Romênia, União Soviética, Coreia do Sul e Estados Unidos.

A primeira vez em que o voleibol masculino teve 12 seleções foi em 1972 e de forma definitiva a partir de 1988 até os dias atuais. As mulheres chegaram a oito equipes já em 1968, mas ficaram nesse mesmo patamar até a Olimpíada de Atlanta. Somente a partir de 1996, nos Estados Unidos, o número de equipes masculinas e femininas foi igual.

Olimpíada de 1996, a mesma da histórica confusão entre Brasil e Cuba, foi a primeira a ter o mesmo número de vagas para homens e mulheres no vôlei (Foto: Ormuzd Alves)

Diferenciação continental

A FIVB tem 5 confederações continentais: CSV (América do Sul, criada em 1946), AVC (Ásia e Oceania, 1952), a CEV (Europa, 1963), a Norceca (América do Norte, América Central e Ilhas do Caribe, 1968) e a CAVB (África, 1972).

Em 1964, ano da estreia olímpica do esporte, todos os cinco blocos continentais (ainda que alguns ainda não estivessem oficializados) tiveram direito a um representante, mas somente para o gênero masculino. A seleção de Marrocos, campeã do qualificatório africano de 1963, desistiu de disputar o torneio. Uma seleção africana só estreou no voleibol olímpico em 1968 na segunda olimpíada com o esporte. 

Se enxergamos uma segregação quanto ao voleibol africano no masculino, para as mulheres o dado é ainda mais assustador: foram 34 anos para que uma equipe feminina da África jogasse voleibol em uma olimpíada. Em 1996, quando a CAVB finalmente deu uma vaga olímpica às mulheres africanas, a Rússia foi incluída no torneio classificatório do continente, tirando todas as chances de qualquer seleção africana em desenvolvimento.

A África só estreou nos Jogos em Sydney, no ano 2000, quando o Quênia foi o campeão do Qualificatório Africano, desta vez só com equipes africanas. Nesta Olimpíada, mesmo dadas as diferenças de experiência e de recursos financeiros, as Malkia Strikers (atacantes da rainha em português, como são conhecidas as quenianas) venceram dois sets, um contra a Croácia e outro contra a Austrália, motivo de muita festa para elas.

Jogadoras do Quênia em bloqueio duplo durante a olimpíada de Sydney, 36 anos após a estreia do voleibol nos Jogos (Foto: reprodução/Youtube)


Assim, representamos as informações acima em uma linha do tempo:



Com informações de Todor 66, Internet Archive, FIVB e Wikipédia

Comentários

  1. Parabéns pelo texto com muita profundidade. Excelente foto da Ana Moser, jogadora e mulher maravilhosa, cheia de coragem, estava na seleção por mérito, não porque era queridinha do técnico.

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    1. Quem seria a 'queridinha do técnico'?

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  2. A seleção Cubana Masculina já estar em ascensão novamente. A federação liberou todos os jogadores. Agora eles jogam aonde quiserem. São livres para negociar seus contratos como bem entenderem. A Nova safra cubana promete!!! A seleção virá com cubanos já consagrados e novos talentos. Os atletas, a grande maioria, irão jogar ou já estão em clubs renomados na Itália. A Liga Local volta forte! E há grupos nas redes apoiando. No feminino a safra é boa e as cubanas prometem voltar com o mesmo tempero e agressividade das antigas cubanas que tanto nos infernizaram. Melissa Vargas será reintegrada e muitas cubanas estreladas irão voltar!!! Que venha logo 2021!!! Fora 2020!!!

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  3. Sei que não tem nada a ver com a postagem (com exceção da foto hehehe), mas não entendo como há tanta gente que não lembra como as cubanas jogavam sujo no seu auge, elas mesmo afirmaram no documentário "Pátria" que para desconcentrar as adversárias (principalmente brasileiras) a chamavam de "sapatonas", mandavam tomar en el c*lo e por aí vai. Podem ter sido uma grande seleção, mas qual a graça em ganhar dessa forma? Simplesmente não entendo.

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    1. Sim! Porém, o karma sempre age e hoje em dia Cuba luta para não terminar em último na Copa Pan KKKKKK. O mesmo aconteceu com a Rússia, o doping institucionalizado e o flop colossal no feminino depois de Londres. Acho é pouco ainda! mwahaha

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