Minas: um campeão de volta ao topo do Brasil

Era uma tarde quente de terça-feira em Belo Horizonte e uma fila de tamanho considerável cortava a rua da Bahia. O Minas Tênis Clube, único time da capital mineira, receberia uma rodada dupla na Superliga masculina e na feminina, uma às 17h e outra às 19h. Logo o andar inferior da arena do clube foi preenchido, quase que esgotando seus lugares. No segundo andar, só as cadeiras do lado esquerdo ao placar principal estavam liberadas à torcida. À medida que o tempo corria, os seguranças liberavam novas cadeiras, ao ponto de que quando os times do feminino de Minas e Bauru entraram em quadra para o aquecimento, a outra metade do andar superior precisou ser liberada. Mais tarde, um andar pouco utilizado, a arquibancada superior da arena, foi aberta ao público. Poucas vezes vi esse ginásio tão cheio durante uma rodada classificatória. Aconteceu.

Itambé Minas foi campeão da Copa Brasil (Foto:Rodrigo Ziebell/CBV)


Belo Horizonte e Minas Gerais respiram orgulhosos de seus dois times, Minas e Praia estão no topo da tabela da Superliga e derrubaram todo mundo até chegar à final da Copa Brasil. Mas o Minas tem um tabu que o Praia não consegue quebrar: a sequência de vitórias sobre o arquirrival. Na atual temporada, o Minas não sabe o que é perder para o Praia; venceu a final do Mineiro, venceu na Superliga e voltou a vencer na Copa Brasil por 3 sets a 1.

A fase do Minas é excelente: Macris está no auge de sua carreira, cresceu muito nas mãos de Stefano Lavarini e mostrou que fez o certo ao esperar para jogar em um time grande. É característica de Macris acelerar o jogo e Carol Gattaz agradece. Gabi dispensa comentários, é uma das grandes ponteiras do voleibol nacional e Bruna, ainda que oscile, é oposta de seleção e tem assumido a definição em momentos difíceis. Mas o grande trunfo do Minas ao meu ver é Natália. O currículo dela explica: jogou em Osasco, foi campeã; jogou no Rio, foi campeã; jogou no Fenerbahçe, foi campeã. Quando vive grande fase e joga seu melhor, impõe respeito, é uma das melhores do mundo.  Sofre muito com lesões, como na temporada passada. Mas quando joga bem, completa esse timaço montado pelo Minas.

O Minas funciona como uma orquestra e o que mais tem me impressionado é sua capacidade de recuperação. Foi assim contra o Praia, começou o jogo confuso, perdido, errando consideravelmente, mas vai lá e corrige, muda completamente. Mesma coisa contra Osasco. A jogadora com quem Macris tem mais dificuldade é Natália, estilos diferentes, Natália gosta de uma bolinha alta, Macris gosta de bolas aceleradas. Sofreram muito no início da temporada, mas se adequaram: vocês perceberam isso? Natália foi a maior pontuadora da final, a maior pontuadora da vitória contra o Eczacibasi, quando essa dupla funciona, meu amigo, é difícil parar.

Natália foi a maior pontuadora da partida (Foto: Rodrigo Ziebell/CBV)


Já o Praia sofre com uma temporada fraca de Lloyd. Mas tem pontos positivos como o crescimento de Rosamaria e Fawcett jogando muita bola, além de Garay absoluta (embora seja sobrecarregada às vezes) e Fabiana crescendo cada vez mais. O time é ótimo, mas não vem sendo bom o suficiente para parar o arquirrival mineiro. Lembro ainda que o Minas perdeu duas partidas na temporada: uma para Barueri sem Natália e uma para o Vakifbank - essa a gente perdoa. Praia, Rio, Osasco e o poderoso Eczacibasi já caíram nas suas garras. Talvez uma fraqueza seja seu banco, que joga pouco. Mas como time, Stefano Lavarini e o torcedor tem o que se orgulhar.

Em 2017 o Minas foi campeão mineiro, em 2018 conquistou o Sul-Americano e novamente o Mineiro. 2019 já começou com o inédito título da Copa Brasil. Antes de 2017, a última vez que o Minas gritou "é campeão" para um grande torneio foi em 2003. Bicampeão da Superliga em 1983 e 2002, o time vê novos tempos chegarem a Belo Horizonte. Será que o torcedor mineiro pode sonhar mais? O tempo dirá...

Foto: Rodrigo Ziebell/CBV

Comentários

  1. Minas ainda tem dois grandes campeonatos.
    Para mim se vencer qualquer um dos dois já coroa a grande temporada do clube
    Campeão Mineiro
    Campeão da Copa Brasil
    Vice Mundial

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  2. Pode colocar esse crescimento do time na conta da Macris. Ela faz até a mediana da Mara jogar. Eu sempre achei que o povo superestimava a Macris, mas tenho que concordar que no momento é a melhor levantadora brasileira. Me lembra muito a Ognjenovic, guardadas as devidas proporções.

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    1. Concordo contigo. Ela é o diferencial da equipe. Macris está para o Minas como a Ongjenovic pra Sérvia. Como uma levantadora pode mudar tanto um time! Pra mim, Macris é a melhor jogadora desta temporada.

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  3. Seleção ideal para o Pré-Olímpico:
    Fabiola e Macris
    Tandara (Rosa, Tiffany e Bruna brigando pela segunda vaga)
    Thaísa, Fabiana (na ausência dessa: Carol), Gattaz e Adenízia
    Fe Garay, Gabi, Natália (Drussylla e Mari PB brigando por essa vaga)
    Brait (impossível voltar com Zé Panela), Leia (idem) então não consigo achar outra opção, qualquer coisa é melhor que as horríveis Suellen e Gabiru.

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    1. Acho que a Natinha merece uma chance na posição de líbero.

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    2. Fabiana disse que não volta mais, Léia e Fabíola pediram dispensa e acho difícil voltarem. Tem rumores que a Brait possa voltar (vamos torcer!) Carol Gattaz nunca pediu dispensa, foi preterida por questões técnicas mesmo, mas como ela ta voando ficarei feliz se ela for pra seleção, afinal ela tem bola pra isso. Não sei se ela aceitaria por questões físicas, temporada de seleção e clubes exige muito e ela já não é mais novinha né. Antes do pré-olímpico ainda tem a liga das nações que é um torneio muito longo e desgastante e paralelo ainda tem os jogos panamericanos, confesso que to ansioso pra ver essa seleção B. A FIVB emitiu algum novo parecer sobre atletas transgêneros? A Tiffany na seleção ia ser ótimo! 2018 foi muito atípico, vimos atletas com muito potencial, que foram fundamentais nos bons resultados de 2017, não renderem o esperado. Isso se aplica, principalmente, para a Roberta, Rosamaria e Gabiru. Eu ia de:

      Macris/Roberta
      Tandara/Tiffany (Bruna)
      Natália/Fê Garay/Gabi/Drussyla
      Thaísa/Adenízia/Carol/Carol Gattaz(Bia)
      Suellen/Brait (Natinha)

      Pra liga das nações eu dava um descanso para as atletas mais exigidas ao longo da temporada e dava rodagem pra outras atletas. O Zé tem uma filosofia mais de querer que o time chegue entrosado para as competições principais. Pro pan, eu daria chance a algumas levantadoras jovens e promissoras como Naiane, Juma e Lyara. Testar se alguma dessas opostas vingam como Edinara e Lorenne. Botava umas ponteiras do juvenil como Tainara e Júlia, as centrais que vem fazendo uma boa temporada como Mayany, Milka, Val, Mara e Fran (Quando ela volta as quadras mesmo?). Pra líbero temos a talentosa Natinha.

      Aguardemos!

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  4. Que lindo esse texto sobre meu Minas! Emocionante ver alguém falar tão bem assim de um dos clubes mais tradicionais desse país: o único a jogar todas as edições da SL. Lavarini vem fazendo um grande trabalho com a Macris e fez ela ser reconhecida como maior levantadora do país na atualidade. Isso acabou dando corpo e identidade ao grupo, o que faltava aos últimos times do Minas (Coco chegou perto). Macris faz todas jogarem o tempo todo e tem aproveitado o melhor de cada uma delas. Meu Minas venceu com méritos a Copa Brasil batendo o timaço que o Praia montou em mais uma temporada. A única coisa que me preocupa, de fato, é o banco já que não tem muitas peças de reposição á altura. De qualquer modo foi muito bom ver meu Minas conquistar um título nacional após tanto tempo.

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  5. Pra cima delas Minas.
    Carol Gataz e Macris estão voando nessa Superliga.

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