Crise no Peru: demissão de Luizomar, ausência de titulares e revolta da torcida

A seleção do Peru, sua federação nacional e a sua torcida passam por um verdadeiro pesadelo. Desde a demissão do técnico brasileiro Luizomar de Moura, o Peru não consegue reunir todo o seu elenco em uma competição. O suposto motivo é que algumas jogadoras não estariam satisfeitas com a demissão de Luizomar e com a substituição pelo técnico peruano Carlos Aparicio, quarto colocado na liga nacional com o Alianza Lima.

Dentre as ausências, ninguém menos do que a maior estrela do voleibol peruano na atualidade: a ponteira Angela Leyva. Leyva está oficialmente lesionada desde a final do último campeonato peruano em sua rápida passagem pelo Universidad San Martin, campeão peruano em 2018. Antes, a jogadora atuou com Luizomar não apenas na seleção, mas ganhou a oportunidade de disputar a Superliga Brasileira pelo Osasco. Algumas fontes acreditam inclusive que Angelita renove seu contrato. 

Luizomar de Moura e Angela Leyva seguram camiseta do Peru em 2017 (Foto: divulgação)


Mas Leyva não é o único desfalque, se consideramos as titulares do Grand Prix 2017, nomes como a ponteira Carla Rueda, a levantadora Alexandra Muñoz, a central Maguilaura Frias e a líbero Miriam Patiño não compõem o elenco da Copa Pan-Americana. E foi assim na Challenger Cup também, mas o curioso é que, mesmo desfalcado, o Peru foi campeão do qualificatório sul-americano para o torneio. No entanto, na Challenger sediou e fez feio, ficou em quarto, perdendo inclusive para a Colômbia que havia vencido no quali. 

Talvez você possa pensar que a ausência dessas jogadoras seja opção de Asparicio... Mas não. Todas estão entre as 24 convocadas pelo técnico. Já a torcida peruana segue inconformada. Pelas redes sociais, torcedores criticaram a Federação e alguns chegaram a declarar um boicote à Challenger. De fato, o público na competição foi atípico, a ponto de incomodar a levantadora rival, Maria Alejandra Marín, que estranhou o vazio do ginásio em Lima.

Challenger Cup teve baixa adesão da torcida peruana (Foto: reprodução)


E se apenas esses fatos não forem suficientes para falarmos de uma crise no Peru, a medalhista olímpica e técnica da seleção sub15, Natalia Malaga, publicou em seu Twitter uma mensagem polêmica. Quando perguntada por um torcedor sobre algumas das ausências na seleção, Malaga respondeu: "Você vai entender quando aqueles que não estão (na seleção) deixem de vaidade e aceitam a convocação de qualquer treinador. Muito têm lesões, mas não para parar de jogar para sua seleção", afirmou a ex-jogadora.

Comentários

  1. Com isso e com a Argentina insistindo naquele técnico péssimo, a Colômbia tem tudo pra se firmar de vez como a 2ª força do vôlei feminino na América do Sul.

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    1. Assisto do meu sofázinho a decadência da Argentina nos últimos anos. Montou um elenco muito interessante no passado, com Castiglione, Sosa, Nizetich, Rizzo... Desde o último ciclo, no entanto, só cai. Peru pior ainda.

      A Colômbia é a única seleção sul-americana que vem mostrando um trabalho muito melhor do que no último ciclo.

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  2. Menino do céu que babado. A Málaga está corretíssima. Treinadores e jogadores vem e vão, mas a seleção continua, se não querem vestir a camisa de seu país por birra, não amam a pátria na qual juraram enquanto seu hino era reproduzido nas competições nacionais e internacionais.

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  3. Eu acho que os motivos podem ser bem mais profundos do que as aparências podem nos permitir enxergar. De fato, a seleção peruana troca de técnico quase anualmente, pois nenhum deles consegue colocar o Peru no posto que ocupou praticamente toda a década de 90 e início dos anos 2000. O fato, é que para fazer a seleção peruana voltar a ser a 2ª potência na América do Sul, não basta contratar técnicos brasileiros, como Chico dos Santos, Antônio Rizola ou o Luizomar de Moura. É necessário investir muito mais na base do que o Peru investe hoje, não só em tempos de campeonatos mundiais sub 20 ou sub 18, mas nos clubes locais, responsáveis pela formação das atletas. Porém, por parte dos dirigentes peruanos, há uma absurda falta de paciência com os técnicos, que praticamente assumem a seleção adulta com a missão de fazer milagre, bem como colocam jogadoras extremamente novas para atuar no time adulto, achando que queimar etapas, submetendo tais atletas a um nível acima daquele que elas estão acostumadas, vai fazer com que elas atinjam o “alto nível” mais rápido. Porém, essa teoria só é verdadeira quando se trata de profissionais de países que realmente contam com uma estrutura decente o suficiente para dar suporte técnico, físico e psicológico a tais atletas. Natália Málaga fez grandes feitos pela seleção peruana, mas sua declaração ignora (conscientemente) fatores muito mais graves, quando afirma que a não presença das principais atletas do Peru é por pura e simples falta de patriotismo. Sinceramente, se eu fosse a Leyva ou outras atletas, me preocuparia com a minha carreira e me dedicava apenas ao clubes do exterior (pelo menos até que a mentalidade dos dirigentes peruanos mude).

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